Quando um homossexual é conservador, ele é pior que um heterossexual conservador…

Quando um homossexual é conservador com as suas crenças limitadas sobre como deveria ser o mundo, ele se torna pior que um heterossexual conservador pelo simples motivo dele ser o primeiro a sofrer as consequências daquilo que apoia. Um heterossexual que prega que homem nasce exclusivamente para a mulher e mulher nasce exclusivamente para o homem, só reforça a sua posição relativamente confortável e privilegiada na sociedade por justamente pregar aquilo que ele já é como algo sendo modelo de normalidade a ser seguido pelos demais.

Já um homossexual que prega que a normalidade é gostar de X ou Y sexo ou sexualidade terá que se ver em conflito com o dilema moral de pregar a normalidade estipulada por uma maioria sendo que ele mesmo não segue para si a normalidade pregada por ela. Recorrendo ao uso das metáforas, seria o mesmo que um judeu qualquer difundir como benéfico e modelo a ser seguido os valores do nazismo, sendo que ele mesmo seria o menos favorecido com essa loa. Ou seja, um judeu assim seria pior que um nazista pois ele saberia teoricamente as implicâncias negativas que recairiam sobre si e seu povo se continuasse apoiar essa ideologia e mesmo ciente disso aceitaria o fato, ou seja, o comprometimento moral é muito maior, por ele realmente entender o perigo do que prega e mesmo assim continuar pregando.

Um homossexual sabe o que desde cedo, ele sofre na escola, literalmente apanhando, sendo xingando, isolado e malvisto pelos colegas; ele sabe que o preço para ele, de imporem um modelo de normalidade a ser seguido, é muito caro e perigoso. O homossexual deveria lutar sim, pelo direito de cada adulto consciente poder se relacionar com cada adulto consciente que desejar de forma consentida. Para se impor padrões de normalidade e punitividade na sociedade já existem muitas pessoas, o homossexual não pode ser mais uma delas, ainda mais sofrendo o que sofre justamente por não ser considerado um desses tipos de padrão de normalidade impostos por aí.

Mesmo assim eu vejo muitos homossexuais por aqui estipulando o que é certo ou errado na sexualidade adulta dos outros. Eu mesmo nesse blog sou vítima várias vezes disso:
É recorrente o número de cidadãos homossexuais que entram nesse blog religiosamente para dizerem, sem ao menos ler a apresentação dele, que eu deveria ser igual a “norma gay” manda ser: Um homossexual convimento de uma forma feliz com outros homossexuais ou bissexuais ativos e passivos, não importando se isso me satisfaz ou não, sendo que ao me recusar a isso por eu não gostar sexualmente de gays e bissexuais, eu seria portador da necessidade de um TRATAMENTO PSICOLÓGICO para passar a gostar de outros gays!!! Ora bolas! Não são esses mesmos homossexuais que lutaram contra projeto do governo PDC 234/11 que visiva a reversão da sexualidade via “métodos psicológicos”, projeto esse apelidado de “Cura Gay” ?

Me diga, qual a diferença em se defender que um gay tenha a sua sexualidade tida como doença a ser curada via tratamentos psicológicos para gostar de mulher e de se mandar um gay como eu se tratar psicologicamente para gostar de outros gays? Muitos irão alegar que eu sendo um gay comum eu poderei me relacionar com outros homens gays. Ora bolas, o mesmo vale para a argumentação evangélica de que um homossexual pode ser feliz virando heterossexual pois aí ele teria várias mulheres para se relacionar além de ser bem-visto pela sociedade. Vantagens hipotéticas realmente existem, agora garantir que essas vantagens aconteçam da mesma forma que ocorrem com um heterossexual nativo, isso ninguém conseguiu provar, afinal muitos gays “curados” “voltam” a gostar de homens , deixando falha a ideia de se acreditar que métodos psicológicos revertem de forma garantida e infalível a sexualidade das pessoas. Outra observação importante a se fazer: o tempo e dinheiro gastos em um eventual “tratamento psicológico” para mudar a sexualidade de um gay que gosta só de heteros , para gostar de gays e bissexuais e afins , não seria então melhor empregado para o cidadão passar a gostar definitivamente de mulher????

Por que eu posso fazer “tratamento psicológico” para seguir a norma gay difundida que é
“gays gostarem só de gays” ao mesmo tempo que é criminalizada a alternativa evangélica de “tratamento psicológico” para gays gostarem direto de mulher? Por que um pode e outro não?

Haja vista as recompensas sociais serem muito mais efetivas para um gay que “virasse” hetero do que para um gay que passasse a gostar de gays e que continuaria sendo descriminado pelo restante da sociedade hetero que é predominante. Lucro por lucro, o lucro maior seria deixar de ser homossexual nesse caso se fosse possível, afinal as vantagens sociais são inúmeras para quem é heterossexual nesse planeta.

Por isso é absurda a postura de gays que sempre sofreram justamente por outras pessoas idealizarem o que é ou não normal para o comportamento sexual, defender o que é ou não normal na sexualidade adulta de um homossexual. Se um homossexual apoia a imposição da normativa sexual para outros gays, ele não terá autonomia moral alguma para lutar contra correntes de pensamento que pregam que a homossexualidade é pecaminosa e digna de morte e sangue como muitos religiosos, militares, adolescentes e neonazistas afirmam categoricamente no mundo.

2 thoughts on “Quando um homossexual é conservador, ele é pior que um heterossexual conservador…”

  1. Moço, não é bem assim. Explico: a cura gay visava curar a homossexualidade, como você disse, e transformar gays em heteros, como se ser gay fosse uma doença. Como você tbm disse, não se pode deixar de ser gay. Já o tratamento psicoterápico para gays se aceitatem enquanto gays, não é para transformar alguém em gay, não é para fazer um gay gostar apenas de gays, não é para moldar a sexualidade a um padrão socialmente aceito como a heterossexualidade (esse é o caso da cura gay, algo que surge por puro preconceito). A psicoterapia para gays que não se aceitam como tais, ou seja, para homossexuais egodistônicos, é para transformar essa distonia em sintonia. Como a orientação sexual não pode ser mudada, o que pode ser feito é a pessoa passar a aceitá-la e ver que não há problema em ser gay, pois o sofrimento em ser gay vem do preconceito e da discriminação, de não corresponder a padrões midiáticos de beleza e comportamento, e não do fato de ser gay em si. Ser gay, em si, não causa sofrimento em ninguém. Ser gay, em si, também não é pecado, de acordo com o catecismo da igreja católica. O fato de a pessoa só se atrair por heterossexuais é bem comum, e isso vem do machismo, que valoriza o homem másculo, viril etc. Um gay se atrair por heterossexuais apenas, essa é uma maneira de não viver sua sexualidade… Eu recomendaria você fazer análise (psicanálise), não é psicoterapia… Eu faço ha alguns anos, e não é um bicho de sete cabeças, e me ajudou bastante nessas questões.

    1. Pedro, você está sendo bem capcioso, mas não tem problema, eu explico: homossexuais ou heterossexuais egodistônicos são indivíduos que têm um comportamento ou desejo, sendo sexual ou não, que foge do modelo comportamental concebido por eles mesmos, como ideal para eles serem, levando ao sofrimento. Quer um exemplo ? Um padre que tem compulsão em se masturbar por garotos. Ele sente atração, sabe do prazer que tem fazendo isso mas sofre por sentir culpa por não atingir os padrões celibatários estipulados, ele tem um objetivo de comportamento mas o seu instinto segue o caminho oposto, levando à sua não aceitação sexual. Qualquer analista pode confirmar o que eu expus aqui.

      O meu caso é completamente diferente, todos sabem da minha homossexualidade e eu não busco um modelo contrário a ela a ser seguido. Fui egodistônico sim mas isso foi quando eu tinha 8 anos de idade, hoje com mais de 40, não sou mais.

      Quanto à virilidade, existem um monte de gays “caminhoneiros” com a virilidade tipo Alexandre Frota que não me agradam em nada, muito pelo contrário. Somente o fato de alguém ser viril não conta pra mim, se informe melhor lendo mais os meus posts, esse padrão isolado é algo da sociedade latina. O atual rapaz que eu gosto é alemão, não segue os padrões de masculinidade que um hetero latino segue, as vezes fora do trabalho se veste feito uma bicha velha até e eu sou vidrado nele.

      Por tanto, um conselho que eu lhe dou é: não faça análises precipitadas e rasas sobre questões mais complexas cheias de nuances, aquelas coisas que são parecidas mas que não são iguais e induzem ao equívoco, você pode cair em erro como caiu nesse post. E veja, se duvidar, eu posso passar links de materiais sérios sobre egodistônicos para você. Quanto à “distonia” , eu pensava que era algo peculiar aos aparelhos vaso musculares, mas enfim, deixo essa digressão para outro momento.

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