Quando as pessoas transam elas fazem mais sucesso na vida!

No colégio Brasilio Machado lá da Vila Mariana tinha um cara que andava estilo maloqueiro na escola: boné azul, camisa regata, bermuda e chinelo, o nome dele era Leo.

Leo tinha uma irmã brava e mãe também não era diferente, esses caras que adotam estilo de falso maloqueiro, quando deixam o cabelo bem cortado, sempre me despertaram certo fetiche. Sempre quis dar pra caras assim com esse jeito despojado e ao mesmo tempo bonito, caras assim parecem fáceis e por minha vida sexual ser totalmente bloqueada, aquilo que me parece fácil se torna mais excitante ainda, afinal por padrão, tudo é negado pra mim.

Leo embora andasse de forma bem irreverente , era o melhor aluno da sua classe, nunca tirava notas baixas, eu notava também que embora ele estivesse sempre com um certo sorriso no rosto, nunca deixava nenhum desaforo dito a ele passar em branco, ele me parecia um pouco agressivo mas sociável, tudo bem, não era meu amigo mas não era o cara mais homofóbico da escola…

Bem, o meu olhar sempre me traia, quando eu estava distraído, me via fitando o tal jovem , sei lá, quem é gay heterófilo sabe, quando menos você espera você tá lá observando um determinado rapaz que lhe agrada e ele percebe, você fica muito sem graça! Com Leo acontecia isso SEMPRE, vira e mexe eu o olhava nos corredores, no pátio, na sala ao lado, no inferno, enfim… Eu percebi que estava gostando desse infeliz, o pior é que ele m encarava também com certo sarcasmo sexual.

Bom, esse Leo pelo visto notou que eu estava caído por ele, então sempre que ele me via e tinha oportunidade, ele metia um beijo de língua numa namorada japonezinha que ele tinha lá, ele a beijava e ao mesmo tempo conseguia me olhar um certo olhar de vingança, vingança essa injustificada pois eu nunca tinha feito nada contra ele, talvez fosse um tipo dos vários tipos de homofobia, talvez ele sentisse um prazer psicopático ao me ver sofrer por ele, ou sei lá, talvez fosse um fetiche desconhecido por mim que sou gay. Se você for um heterossexual aristocrático, do alto da sua “superioridade” me informe o que isso representa nos nossos comentários.

Sabe como é, na minha época, quem era gay na escola, vivia perigosamente, por isso eu estava sempre com a inspetora de alunos, era a única pessoa com quem eu podia me desabafar, o pior é que essa inspetora também se dava muito bem com o Leo, vira e mexe ele vinha perguntar pra ela se a classe dele podia adiantar por ter faltado outro professor, sim, ele era líder de classe também. Quando ele vinha pedir esse tipo de informação e eu estava ao lado da inspetora, ele não me encarava e eu fingia ser indiferente também, embora dentro de mim tivesse taquicardia e as vezes eu não me controlava e dava uma olhada naquelas pernas meio peludas dele. Depois eu contava tudo o que sentia para a inspetora…

Eu já estava com ódio, todo lugar que eu olhava para esse rapaz ele pegava a sua japonezinha como se fosse uma boneca inflável e metia um beijo na boca da infeliz! Sei lá, talvez fosse um aviso para eu ficar afastado dele, ou pior, muitas pessoas na minha vida cotidiana pensam que eu sou GAY ATIVO, ai como isso me dá ódio! Daí o povo fica espalhado que se eu tou olhando muito, é porque eu quero comer o cara! Que nojo! Urg! Eu sou passiva meu amor! Eu tenho que andar com uma camiseta dizendo isso e deixar o aviso nas minhas porcas e falidas redes sociais? Vai ver que o Leo tivesse medo de eu querê-lo como mulherzinha, que desgraça! Na verdade, o meu fetiche foi sempre ser uma mulher bem vagabunda, bem piranha que encontrasse rapaz bem fogoso e bem cafajeste, que só se importasse consigo , fosse bonito e me fizesse cara feia. Isso me dá uma tara doida!

Leo parecia sentir prazer em me ver sofrer por ele, vai ver que ele tinha uma vertente de sadismo ou achava que eu era voyeur…
Eu ficava imaginando o quanto aquele rapaz transava com deus e o mundo, ele tinha um jeito de bem rodado mesmo. O que eu não sei com quase 60 anos de idade, aquele cara com 11 já praticava… Tava escrito na cara dele.

E para quem acredita em reencarnação paralela(quando uma alma decide nascer com 2 personagens ao mesmo tempo para acelerar o aprendizado) , milhões de anos depois, recentemente surge no meu serviço um rapaz chamado Ledo, ele tem o jeito e aparência do Leo , apenas o que os diferenciavam eram as cores: Leo era branco e com cabelos bem pretos, Ledo era loiro. E sempre que eu ia conversar com Ledo tinha alguma coisa que me fazia me sentir desconexo, fora de sintonia, falando A quando queria na verdade queria falar B, uma coisa dissonante entre nós, e ele quando vinha conversar comigo também não se sentia muito a vontade, parecia ser transportado para outra dimensão e me evitava interiormente, sei lá, sabe quando um instrumento musical desafina? Pois é, era assim que era quando eu e o Ledo ia conversar, eu sempre reclamava da vida com ele e ele tentava me consolar, mas sei lá, parecia que nós dois estavamos sendo falsos um com o outro escondendo outras emoções: de ódio ou de irritabilidade. Uma vez eu até falei pro Ledo que ele parecia-se com o Leo lá de 1998 mas com cabelo loiro.

Embora Ledo de parecesse com Leo, eu nunca dei em cima dele, só fiquei pensando besteira um dia que ele disse numa conversa solta que gostava de sexo selvagem, foi então que eu pensei: —ixi! se eu pudesse ter a oportunidade , essa seria a minha modalidade de sexo predileta: sexo com ódio, raiva e gritaria! Ledo tem jeito de quem gosta de bater e eu gosto de apanhar, então pensei algumas besteiras, mas depois passou!

Eu fico pensando: como aquele Leo de milhares de anos atrás deveria fazer sexo, não é? Um rapaz bonito, meio selvagem, destaque da sala, o que não deveria ter feito na vida sexual e afetiva, não é?

E por que eu estou falando isso tudo?
Pra quem não sabe, Leo têm um sobrenome estranho, não posso citá-lo aqui pois seria muito fácil identificá-lo, então eu pra passar o tempo ontem a noite, entrei na rede social de empregos, o Linkedin e cismei de pesquisar o nome do sujeito, pesquisei e achei!
O cara se tornou um gerente de tecnologia dentro de uma grande operadora de telefonia, fazendo mil e uma coisas importantes lá no emprego a anos! E eu que estudava na mesma escola que ele, um ano a frente dele, hoje em dia tenho um subemprego! Que vergonha!
Mas o pior não foi isso, o que me constrangeu foi lembrar que o o Linkedin cagueta quem andou espiando o seu perfil!!! Putz! Que vergonha, né!!!?
Isso mesmo, no outro dia, o Linkedin me mandava clicar para ver as ultimas pessoas que visitaram o meu perfil, quem estava lá? O Leo!
Que vergonha ! Pior que antes, na época do Orkut eu já havia me declarado pra ele, solenemente ele havia me bloqueado lá. Ele deve estar pensando que eu sou uma bicha serial killer, afinal vira e mexe eu estou tentando ir atrás dele, a anos. Ai que vergonha!

Bom, Ledo e Leo, ambos se casaram, ambos as mulheres fizeram o favor de transformarem em homens barrigudos.

Isso acontece bastante, quando eu vou ver como estão os caras que eu gostei, todos estão em cargos altíssimos, tudo bem que mais gordos, mas estão podendo ter uma vida melhor, e eu? Mal eu tou dando conta do ritmo do meu emprego, o que dirá pensar em um de patamar maior.
Sabe, quando você não faz sexo, não namora e sabe que ninguém que você gosta, gosta de você, você fica meio apático, você não tem interesse em crescer. Um cargo maior? Você tem medo e não sente motivo para ir atrás dele, parece que aquele cargo maior será igual aos heterossexuais que você ama: eles sempre lhe desprezarão. Você não se sente motivado pra nada.
Você pensa: a minha vida é só comer e trabalhar, nada mais, então eu nem quero lá muita coisa! Você não tem motivação na vida, você sabe que onde você for chegar , independente do cargo, ali só será para trabalhar e mais!
Diferente de um heterossexual que onde chega sabe que ali terá oportunidades sexuais de sobra para se divertir. Um hetero encara tudo como se fosse um lugar para “conhecer alguém” (fazer sexo no bom português) , montar uma nova família e fazer amigos, já gays que nem eu, encara tudo de forma mecânica: ali é só pra trabalhar, receber cobranças e ficar stressado, namoro, possibilidade de sexo, isso não existe pra nós. É tudo muito escuro, sem possibilidades de ser feliz, trabalho pra gente, é só trabalho mesmo…

Por isso eu acredito que heterossexuais , na maioria dos casos, se destacam mais no emprego, eles ou elas podem transar e com isso até conseguem promoções milagrosas, indicações e tudo mais. Agora eu…

Reportagem:
Um em cada onde de seus colegas fazem sexo no trabalho.