Eu hoje fui passear, fui ver a antena da Afonso Bovero

Hoje eu fui passear de novo para quem sabe, talvez, contrair o coronavirus e talvez um dia, milagrosamente, morrer. Tirei inclusive umas fotos dos lugares por onde eu caminhei para mostrar aqui. E é claro, sempre procurando andar de cabeça baixa para evitar ver aqueles héteros bonitões que cospem de nojo ao nos verem.

Passei também pelo cemitério do Araçá novamente, na av Doutor Arnaldo, essa avenida me lembra de certa forma, o primeiro fora que eu levei a 22 anos atrás do rapaz albino do Mackenzie. Eu gosto de andar dentro de cemitérios como esse, eles me lembram paz e respeito, o que é raro no Brasil.

Fui ver a antena que simboliza a única vez que eu fui feliz na minha vida nessa terra, foi quando eu tinha 4 anos e morava na rua Ceará, Pacaembú, lugar esse que me permitia ter a vista da supracitada. Eu ia aos domingos dar uma volta com a minha mãe em torno do estádio do Pacaembú, as vezes tinha eventos para criança lá dentro com uma palhaços que me davam medo, mas eu gostava. Depois eu voltava pra casa e ficava na janela olhando a tal antena. Era um tempo bom, eu não sabia que existia sexo, amor, dinheiro e essas desgraças que me fazem sofrer hoje na velhice.

Chegando mais perto daquilo que simbolizou a minha infância. Quando eu vou para a praça Charles Miller refletir sobre a vida ao cair da tarde, a visão desse ícone me transporta para outra realidade, existem estímulos audiovisuais que servem de gatilho para nos transportar um lugar psicológico que nos faz nos sentir bem e grandiosos, eu não sei descrer direito isso, só sei que certos lugares e trechos eletrônicos de música me causam esse fenômeno, parece a abertura de um portal que nos tira dessa dimensão infernal e que nos leva para um lugar de glória! Eu tive essa mesma sensação em Berlin na Willy Brandt Straße , perto do Bundeskanzleramt.

Abaixo você pode ver a outra antena que fica ali perto, a antena da TV Cultura, ela não lembra a minha infância mas sim a minha juventude tão desprezada, quando eu estudava no colégio Antônio Alves Cruz a 22 anos atrás (a se contar de 2020), tinha tantos meninos deuses ali, lindos, de classe média, altivos, que me faziam tremer, eles namoravam na sala de aula e eu apenas tentava estudar e evitava perseguições. Mas é claro, as perseguições escolares sempre foram uma rotina na minha vida, nessa época existia um grupo de 4 rapazes naquela escola que se dedicavam a me perseguir, tirar sarro da minha cara, esbarrar propositalmente em mim, parecia coisa mandada!

Abaixo temos a antena da TV Cultura e a Igreja Nossa Senhora do Rosário de Fátima, ela também lembra a época que eu estudava ali no Alves Cruz pois ao seu lado tem uma ladeira que acaba ao lado de um supermercado, pode parecer incomum mas nós saímos no intervalo para ir em frente a esse supermercado Pão de Açúcar comprar lanches e deliciosos sorvetes chamados “Sem Parar”. É claro que essa época ficou marcada de forma traumática pra mim, afinal foi nela que eu pegava o mesmo ônibus que o rapaz que me deu o primeiro fora na vida pegava também para voltar do colégio Mackenzie. De lá até hoje, na minha velhice, a minha vida sexual e afetiva continuam a mesmíssima coisa, sem nenhuma novidade, tão morta e estéreo como o solo marciano.

Uma pontinha da torre dessa igreja eu consigo ver através do bairro que eu vivia quando eu era feliz na infância. Mas ela ficou marcada mesmo pela época em que eu estudava ali perto e que pouco tempo a frente eu iria levar o maior fora de minha vida em conjunto com um aviso claro que serviria para a minha existência toda:
–Você nunca vai terá alguém que realmente goste para todo o sempre e se tentar ter, será exemplarmente punido!

Fazes diferentes representando momentos marcantes e distintos em uma vida cheia de dissabores.

Bom, se você é novo(a) aqui e quer saber exatamente que tipo de homens eu gosto, clique aqui! Ali já se explica tudo.

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