Eu desaprendi a lhe dar com sentimentos humanos e abraços

Inaptidão com sentimentos

Devido a eu ficar sobre a égide do ostracismo social imposto pela minha sexualidade sui generis, eu não sei mais como reagir aos sentimentos dos outros seres humanos ao meu redor. É raro, mas quando alguém me abraça, 99,999% mulheres, eu não sei o que fazer… Como eu devo me comportar nessa situação? Isso me incomoda. Pra mim, isso é um acontecimento que me gera mais dúvidas do que sentimentos: Eu devo colocar as mãos onde na pessoa que me abraça? Por quanto tempo deve ser o abraço? Como deve ficar a minha fisionomia durante o abraço? E depois que o abraço termina, eu devo ter que tipo de fisionomia? Eu fico rindo, sério ou indiferente? E se eu tiver excitação sexual durante o abraço quando for um homem? Como eu devo agir para não parecer que sou homossexual?

Muitas questões sobre o relacionamento humano pairam na minha mente agora que eu aboli as relações humanas de amizade , somando-se a isso a falta intimidade sexual que eu nunca tive, me tornando assim racionalizador sobre quais realmente são as emoções das pessoas quando elas fazem uma determinada ação. Por exemplo: Quando um rapaz heterossexual me olha sorrindo, isso é sarcasmo? Dissimulação? Sadismo? Gozação? Paquera ou automatismo? Eu devo me comportar como quando isso ocorre sem causar mal estar aos outros? Devo rir também? Mas e se eu rir e a pessoa logo em seguida fazer uma cara de reprovação ao meu riso? Então eu devo ficar indiferente?

E quando eu vejo um rapaz heterossexual na rua que eu acho muito bonito e atraente, eu o olho e ele faz cara de reprovação ao meu olhar e ainda por cima cospe no chão, para me desestabilizar e me repreender mais ainda, o que eu devo fazer? Na Alemanha ninguém se sente bem quando você encara, exceto na travessia de farol na rua, mas isso não me parece ser homofobia mas sim um comportamento de quem é reservado, afinal nem para as mulheres desconhecidas eles olham, já no Brasil o olhar é praticado porem é mais aceito quando é feito entre homens e mulheres heterossexuais.

Quando uma pessoa está chorando por algum motivo qualquer na minha frente, o que eu devo fazer? Quando uma pessoa se acidenta na rua, eu tenho que acudir mesmo sem ter vontade? E se eu achar divertido o acidente da pessoa?

Quando as pessoas eventualmente colocam a mão em mim, o que devo fazer? Mando tirar para não parecer uma pessoa oferecida? Recrimino ou deixo colocar para ver o até onde vai?

Enfim, eu não sei, eu aprendi a viver e achar normal a negligência afetiva algo normal: o prazer, o sexo, o namorar, o se apaixonar, o gostar de alguém, na minha vida sempre algo destinado às mulheres de peitos e bunda grande com jeitinho de menininha e ao homens carismáticos jovens e bonitos. Eu sempre fui um gay do lixão, nunca conheci essas questões e quando tentava conhecer, logo era repreendido ouvindo:
“–Deus fez o homem para a mulher e a mulher para o homem!”

Ok, mas você pode achar que nessa altura do campeonato, eu já com pouco mais de meio século de vida vá querer recorrer à terapia do abraço. Se engana! Agora que eu descobri que amizades não existem quando você não tem função sexual e financeira, eu não quero contato com ninguém mesmo. As ‘amizades’ no meu caso quando eu me forço a ter, são pessoas que me pedem favores, já os homens, esses querem mais é que eu seja espancado até morrer, então foda-se! Quero contato com ninguém não!
Estou melhor assim!
A época de Tears for Fears – Head Over Heels não voltará mais!

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