Toda dia eu penso em me matar

Toda hora eu penso em acabar com os meus problemas me matando. Mas por que? Porque os problemas que eu tenho são crônicos. São aqueles problemas que você acorda já sabendo que eles não irão mudar. Eu sei que é muito bonito falar em querer viver , para algumas pessoas deve ser muito bonito viver, as pessoas olham com maus olhos quem pensa na morte mas se esquecem que nem todas as pessoas aceitam a irrelevância de suas vidas, nem todas as pessoas têm uma vida boa. Ora! Eu vou ser otimista jogando perfume na merda só parecer uma pessoa feliz e bem sucedida se eu não sou? Vou ficar falando que nem os papagaios da auto-ajuda e do coaching fazem onde eles acreditam que qualquer mentira dita por mil vezes se materializa torna-se uma verdade? Eu não! Hipocrisia não é o meu forte. Minha vida é podre, feia, fedida e sem boas perspectiva. Mas por que?

Por que enquanto nunca tive ninguém, enquanto eu nunca nem se quer beijei alguém que eu gostei, eu havia nascido no lar de uma mulher que pegava novo, velho, preto, branco, feio, bonito, vizinho, colega, amigo e todo mundo que pudesse e ainda quando podia nos desentendimentos comuns de família jogava isso na minha cara! Eu sempre soube que a minha mãe é prostituta mas uma coisa é saber que ela é lá bem longe da sua casa, outra coisa é esse comportamento vir ficar explicitado debaixo do seu nariz.

Enquanto isso, quem eu era? Um menino que sempre gostava de uns outros meninos que não sentiam nada de bom por mim, quando muito, sentiam interesse em mim para me fazer sim de ponte para outros objetivos como pegar outras mulheres ou obter alguns conhecimentos meus para fins profissionais.

Todo rapaz que eu gostei me fez doer o meu coração ao ser flagrado todo feliz com a namoradinha vagabunda e sortuda deles, quem eu gostei sempre eu via sendo feliz aos sorrisos com outras mulheres “mais interessantes” que eu, eu nunca era nada para quem eu gostei. Sempre contrastando com a minha vida sozinha, solitária e isolada, as outras pessoas ao meu redor vira e mexe eu ficava sabendo que estavam transando muito com alguém. Eu sentia até nojo, afinal isso pra mim é algo anormal, desconhecido e totalmente alienígena.

As pessoas adoram falar e ouvir os seus colegas sobre os casos amorosos que eles vivenciam, cada um presta muita atenção no outro quando esse assunto vira pauta mas quando vou eu timidamente falar de algum assunto que tenha ligação com alguém que eu goste, eu sou visivelmente boicotado, as pessoas rapidamente mudam de assunto e saem de perto. Os outros gays acham que eu tenho o dever de gostar do que eles gostam: outros gays, como se o sentimento fosse formatado como a personalização do seu computador, esses gays ignoram que eu sinto atração não por que decidi sentir mas porque eu sinto, pronto e acabou, é automático.

É por isso que eu penso a todo momento em tirar a minha vida, acabar com esse sofrimento de ver um cara bonito na minha frente e viver num eterno pesadelo de ter que ficar tentando disfarçar o que eu sinto por ele para ele não fazer cara feia pra mim, o dia todo isso acontece comigo: saio na rua e por mais feia que seja a rua onde eu vou, vira e mexe aparece um cara que me puxa a atenção de forma animalesca e irresistível mas eu tenho que viver fingindo, fingindo que não tenho vontade de pegar aquele rapaz e fazer todo o tipo de sexo com ele que eu não fiz por todos os meus cinquenta e cinco anos de vida, eu queria liberar toda essa minha tempestade animalesca represada por cinco décadas infelizes e fazer sexo com ódio, com fúria, com raiva, com sentimento de vingança por ter sido renegado de todas as maneiras pela sociedade maldita e atrasada onde eu nasci que privilegia todo mundo a minha volta com mimos sexuais mas que a mim me reserva o mais profundo e visceral desprezo fétido que a maldade humana esconde nos gavetões gelados de suas almas interesseiras.

Eu penso em morrer por isso, por todos os rapazes bonitos que me agradam, a beleza deles me faz sofrer, me faz ver que a minha vida não está e nunca estará resolvida. A beleza de um jovem macho cercado pelas suas namoradas me faz sentir a dor de um prego gelado que é socado em meus ossos com marteladas terríveis que me fazem ter vontade de dar urros terríveis de dor. A mesma dor de quem leva uma agulhada firme e indiferente nos nervos dos dentes, só que na alma!
Todos os homens bonitos, másculos e férteis  parecem usar todos esses atributos para me ferir, quando eu os vejo com as suas namoradinhas  pelos cantos a se amassarem impunemente eles sempre dão aquele sorrisinho malicioso e sacana de vitoriosos, de quem esta fazendo isso só para ter o prazer também de ferir-me profundamente como uma martelada em meu cérebro, eu sinto que as almas deles se vingam de certa forma de mim sendo um homossexual que não poderá te-los, eles parecem sentir prazer de jogar em nossas caras que eles gostam de mulheres e que nós devemos sofrer exponencialmente a cada momento por desejá-los, por isso, se eles não nos batem, procuram ficar se esfregando com uma vagabunda para se deliciar em nos fazer sofrer sem merecermos, é o verdadeiro lado humano que não é nada bonzinho, é o prazer na desgraça e na falência do próximo. Eu sei que os heterossexuais transportam um ódio imenso por mim, esse ódio eles dão vazão cutucando o meu ponto fraco: falando que preferem a minha mãe do que eu, demonstram em suas redes sociais que estão fazendo aquilo que eu nunca vou poder fazer que é abraçar e dar sorrisinhos ao lado da pessoa que lhe desperta vontade insana de copular! Eles , os homens heteros, sentem prazer em mostrar o que eles têm e o que nos faltam: carinho, amor e sexo.  Você pode ver, um homem heterossexual atraente quando está aos amassos com uma mulher, se você gay olhar, ele capricha mais ainda no amasso, como se tivesse destilando o veneno que todo ser humano guarda e gosta de usar mas que esconde. Ele sente prazeres enormes em ver você agonizando por dentro por causa dele, ele sente que a vida deu a eles uma dádiva sexual somente a eles e que você é um lixo, que gosta do sexo errado por opção, por que quis, por safadeza como eles adoram dizer, como se toda prática sexual não fosse uma safadeza mas sim um ato de nobreza e educação…

É por isso que tenho vontade de me matar, me matar por todos esses caras que conseguiram o que queriam: me fazer me sentir mal, afinal, por mais que eu lute, eu sei que o meu problema não depende só de mim. O meu corpo maldito gosta e se atrai por eles e eu sofro por isso pois eu nunca posso realizar o que eu quero.

Nesses dias eu estava lendo no Twitter  e em sites de fofoca, que aquele atorzinho galã que eu inclusive já me apaixonei por ele em 2010, o tal Arthur Aguiar, tem uma vida sexual invejável, ele têm mulheres que se oferecem a ele o tempo todo, qualquer chamado que ele dá, elas aceitam prontamente, como isso me feriu! Como isso me fez me sentir um lixo! Que toda pessoa bonita tem uma vida sexual agitada é de conhecimento implícito, mas daí constatar com milhares de pessoas falando que a pessoa que você gosta tem quem quer e que aquele desprezo que ela te deu, foi só e EXCLUSIVAMENTE para você, dá vontade de você pegar o seu próprio corpo e se atirar num moedor elétrico de carne!
Poxa! Pra que o meu corpo presta se ele só me faz ser humilhado, desprezado e me sentir incapaz? A bosta do meu corpo não atrai ninguém que eu ame, não atrai ninguém que eu goste, não atrai ninguém que eu queira ter sexo, a desgraça do meu corpo só atrai mulheres que não me causam absolutamente nada! Enquanto isso, pessoas como esse ator sortudo Arthur Aguiar e aquela outra sortuda Anna Sharypova esposa do cara que eu gosto, ganham todos os brindes e prêmios por eles terem nascido dentro de um corpo poderoso que está de acordo com a bosta da alma deles. Por isso eu tenho vontade de tirar a minha vida pois o meu corpo só faz ferrar ainda mais a vida de mosquinha de banheiro que eu tenho. Eu tenho vontade de pegar a minha cabeça e me chutar, me jogar debaixo de um ônibus e ver aquele veículo enorme amassar essa desgraça que “ajudou” a todas as pessoas do mundo todo tripudiarem vitoriosas em cima de mim. Sim, não tem nenhum ser humano que não possa dizer na minha cara que gozou com quis gozar, que namorou com quis namorar e eu ter que ficar calado! O meu corpo parece ter sido projetado minuciosamente para eu ter o desprezo, o nojo, o ódio, a sanha de todas as outras pessoas feliz.

Por mais que me arrume, por mais que eu me queira, por mais que eu sinta-me feliz, vira e mexe eu vejo um rapaz lindo na rua que me olha com desdenho e me faz sentir um lixo, um verme, um merda! É pra isso que o meu corpo presta? Pra me boicotar, me atrapalhar? Então eu não o quero! Quero viver vagando na dimensão X sem precisar dele nunca mais!

O Arthur Aguiar deve se sentir o cara! Oh, como deve ser a sensação de quem pode chamar qualquer pessoa que gosta e ser prontamente satisfeito? Isso deve inflar o ego de qualquer pessoa a níveis galáticos! Um Arthur Aguiar ou Anna Sharypova jamais, jamais souberam como é ser igual a mim, uma pessoa que vive parecendo que está melada de bosta a vida inteira e que nem ego ou dignidade própria tem mais. É comparar o sol com uma formiga! Ou melhor, é comparar o tamanho do centro da galáxia com uma formiga operária que nasce e morre na insignificância. Você acha que é legal viver assim? Pega a minha vida então e nasce como eu! A minha vida toda, desde pequeno, eu só tive o nojo, o desprezo, e a malquerença dos outros, enquanto isso, como será que era vida de pessoas como o Arthur Aguiar e Anna Sharypova na infância? A eu já respondo: amigos, entrosamento pois nasceram de acordo com o corpo delas e a sociedade só gosta de pessoas assim, namoros, sexo, festinhas, carinho e um cérebro super inteligente? E eu? A vida toda morando em malocões tendo que ver os outros meninos mexerem com a minha mãe quando não saiam com ela enquanto eu mal tinha como me manter na escola, sendo atacado pelo baixo desempenho escolar pelas professoras, pelos outros meninos por eu ser gay e pelas outras meninas que me pertubavam por perceberem que eu era igual a eles em partes.
Eu tinha uma professora de geografia geniosa chamada Rosa que vivia pegando o meu caderno com nojo de mim quando eu estudava no Marina Cintra.
Ou seja, a vida minha era um lixo, se eu gostasse disso eu seria um baita masoquista safado!
Nunca namorei ou tive ninguém pra deixar o meu ego inflado não, eu acho que nem ego mais eu possuo!

Uma vez eu estava andando na rua Teodoro Sampaio , perto do largo da batata e da loja Marisa, era um fim de tarde de domingo nublado, pouca movimentação, ventava , as lojas estavam já todas fechadas e os lixos voando na rua, eu esperava é encontrar mendigos ou ladrões como têm em todas as ruas de São Paulo ultimamente depois de 2016,  mas não, a rua estava vazia e largada, todo mundo tinha ido pro litoral eu acho. Então de repente surgiu lá na minha frente vindo em meu sentido um rapaz excepcionalmente lindo, na hora eu disse comigo mesmo: olha o cara dos tipos de caras que eu gosto de citar lá naquele lixo de blog que eu tenho e que ninguém vê, aí! Nossa! O cara era uma versão heterossexual de Froy Gutierrez, era sério, cara de cruel e problemático, se vestia como classe média e tinha uma certa imponência e autoridade no olhar, cabelos ondulados castanhos, olhos bem verdes, um jeito de pessoa que não era flor que se cheire,  eu fiquei tão triste por saber que aquele cara me interessava demais sexualmente passaria por mim quase que encostando e eu não teria impacto nenhum sobre ele, eu já sabia que ele seria mais um desses caras que são protagonistas na minha vida de desprezo na terra, ele passou por mim, eu até senti o seu perfume que era agradável mas eu me senti profundamente deprimido, deprimido por saber que aquele cara jamais faria parte da mesma realidade que eu vivo, afinal, além de heterossexual, aquele jovem era nitidamente de uma classe social a qual eu nunca vou fazer parte nem morrendo e reencarnando umas quatorze vezes, eu o notei fortemente mas pra mim foi tão triste perceber que ele nem raiva de mim teve, simplesmente nem havia me notado como ser vivo, claro! o lixo do meu corpo não foi projetado pra atrair nada a não ser doença! O cara passou por mim como se eu fosse invisível, eu ainda fiquei salivando e olhando para trás, ao mesmo tempo que eu me senti atraído por aquele cara, eu também me senti profundamente magoado pela indiferença total dele. Eu não era nada pra ele, creio que nem mulheres teria uma missão fácil em te-lo, aquilo era um heterossexual de grande monta da dita aristocracia heterossexual!
E eu um viado anos luz atrás em termos de socialização, ego e maturidade sexual e afetiva.

É por isso que a vontade de morrer em mim é tão comum, todos os dias que penso em me livrar disso, todos os dias eu penso naqueles relatos de quase morte de canais espiritualistas, mas nenhum espírito vem falar comigo, nenhum ser vem falar sobre essa desgraça que carrego, nenhum contatado tem o dom de me dizer alguma coisa que me surpreenda e que seja verdade, eu peço, oro mas ninguém me escuta, mesmo assim, eu fico fantasiando eu após a morte me vendo livre e solto desse corpo que não me ajudou pra prosperar em nada significativo.  Todos os dias eu penso em como será , se existirá realmente uma outra dimensão, a dimensão X para a gente vai e não precisa levar o corpo contraditório junto. É por isso que eu não tenho ânimo para prosperar, estudar ou ser alguma coisa na vida, lá no fundo eu sinto que não vou ser nada mesmo, então eu não luto, deixo pra lá!

Quero morrer por acreditar que depois de morto, se existir outra vida, eu possa ter a chance de poder não ser desprezado unanimemente por quem me interessa como sempre aconteceu aqui.
A morte é libertadora, não falem mal dela!
Ruim é a vida nos segurando para nós não morrermos.
A vida faz o nosso corpo doer quando vamos morrer pois ela sabe
que se não doesse, ninguém faria esforço em ficar nesse lixo!

Quando eu me mato, na verdade eu estou matando a experiência de ter uma mãe prostituta enquanto eu sou condenado a ser virgem.
Quando eu me mato eu estou matando todos aqueles caras bonitos que eu gosto mas que eu não posso tocá-los.
Quando eu me mato eu estou matando a sociedade selvagem que delicia com o meu sofrimento.
Quando eu me mato eu estou matando necessidade de ser alguém na vida sabendo que o meu cérebro não tem poder pra isso.
Quando eu me mato, eu estou matando esse tesão maldito que eu sinto por quem nunca me quis.
Quando eu me mato, eu me dou vida de verdade e não isso precário que eu tenho aqui na terra!

 

 

 

 

 

 

 

2 thoughts on “Toda dia eu penso em me matar”

  1. Acompanho muito seu blog, gosto muito e concordo com tudo!
    Mas observei que você só se interessa por garotos brancos de elite. Além de eles não terem obrigação de ficar com nós por sermos gays, eles tem menos ainda por você ser negro, um branco não é obrigado a sentir atração sexual por um negro. existe muito menos brancos que negros no mundo,ainda junta essa miscigenação, isso seria o fim dos brancos que você tanto ama. E você como todo bom negro brasileiro tem repúdio da sua raça, mas não admite . até eu que não gosto, to querendo abrir mão se aparecer uns negros que o acho simpáticos por esta falta de sexo. Eu não te julgo por isso. Se posso te dar um conselho, aceita sua vida como é, tu deve ter feito muita merda em vidas anteriores, separado relacionamentos até por macumba. eu acredito que fiz toda essa merda também, você foi condenado pelo mesmo crime e está pagando sua sentença. estamos juntos nessa . Se tu se matar, vem ainda mais fodido na próxima, acredita o nosso sofrimento está acabando ! essa sociedade do jeito que está, está com os dias contados .

    1. Caro,
      o desejo não se escolhe, apenas se controla. O desejo não segue ética, moral ou pautas identitárias, ele apenas ocorre e pronto. Realmente, a maioria dos rapazes que eu gosto são desse perfil descrito por você mas tem gente por exemplo que tem desinteresse por rapazes justamente assim, eu tenho amigas que se amarram em homens negros, eu tive uma patroa bem exigente que era assim inclusive. Minha mãe já prefere homens com aparência de pedreiro e morenos, e eu sei lá por qual motivo, me atraio na maioria das vezes por caras como você descreveu, ou seja, o desejo não se escolhe e se fosse possível se escolher, eu seria mais prático em desejar mulheres pois eu também já gostei de rapazes da minha cor, até mais pobres que eu que me rejeitaram da mesma forma que os outros e ainda ficaram zombando da minha cara.
      Já no que tange as causas espirituais, bom, se o mundo espiritual existe, ele se esconde muito bem de mim, não tenho como dar garantias sobre ele, apenas ouço o que me falam.

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