Tenho inveja das pessoas que podem ter uma vida sexual alegre

Eu hoje estava andando pela rua e vi do outro lado 5 rapazes da Vivo-Telefônica, daqueles caras rústicos que ficam consertando fios de telefonia na rua entrando em boeiros, não me interessei por eles mas sim pela ‘felicidade’ que eles demonstravam, todos lá  sorrindo, com aquela alegria imediatista que todo pobre tem, todos rindo lá, claro! Todos ali pobres ou não, deveriam ser casados ou terem as suas namoradas lá na periferia ou ainda, serem casados e com uma namorada ‘por fora’… Tem como você ser infeliz assim? O sexo e o ‘amor’ são os lubricantes da alma! Sem isso os  impactos da sua vida são mais duros!

Eu fiquei imaginando também: esses homens la na rua, todos rindo, escrotos, até cheirando de tanto suor as vezes, com aquelas botinas de quem vai pra guerra, mesmo todos estando nesse estado, tem lá as mulheres deles esperando por eles na cama, alguns se perfumam todo para elas, outros cortam o cabelo bem arrepiadinho para impressioná-las, tem também os que nem isso fazem, vão sujo mesmo pra suas namoradas e são queridos, aceitos e desejados do jeito que são, e o melhor, eles se excitam por quem se excita por eles, realmente uma dádiva!

Agora gays como eu que só conseguem sentir paixão, amor e excitação por homens totalmente avessos às suas necessidades, saem o dia inteiro para trabalharem, limpinhos, educados, éticos, não mexem com ninguém e o que recebem em troca? Nada! Ninguém está na nossa casa nos esperando pra nada e quando eu ouso a escrever um blog desses, alguns ainda me criticam dizendo que eu tenho que abrir mão do que eu gosto e ficar com qualquer coisa por aí que não me excita, só para dar o status do meu problema de ‘solucionado’, são os famosos solucionadores de problemas da vida dos outros! Os caras lá da Vivo , suados, de bonita, falando barbaridades na rua podem ter o luxo de trepar com quem os deixa de pau duro, mesmo que não tenha ‘amor’ na relação, mas o sexo com quem os excita é garantido, agora eu não, me mandam pegar uma gay qualquer tipo aquela lá do canal do Youtube ‘Matando Matheus a Grito‘, nada contra ele como pessoa, ele até parece ser muito simpático, mas como macho pra namorar não me desce! Ele tem o jeito de uma amiga putinha que eu tinha chamada Rose, o mesmo eu falo do namorado dele, não rola! Gozado, eu nem consigo sentir inveja de casal gay, todos eles pra mim são sem graça alguma, eles não têm aquela coisa que me faz sentir aquela revolução louca no peito que  só um hetero me dá.

É tão chato você andar pelas ruas, ir ao trabalho, voltar pra casa e ver que a sua vida é só isso, não tem namoro, não tem sexo, a sua vida não faz a mínima falta a ninguém. Você é apenas o provedor de dinheiro e serviços para os outros, os seus instintos que se foda!

Soma-se a isso a situação social que o Brasil vive, não bastasse os preconceitos que eu recebo por ser gay e gostar apenas de rapazes heterossexuais legítimos, agora sofro o preconceito nojento daquelas mulheres branquinhas feito essa página , de classe média e andam aí pelos bairros nobres de São Paulo, muitas vezes eu estou andando na rua pensando na minha vida porca e surge uma delas à minha frente, aí elas começam a aceleram o passo ao mesmo tempo que ficam toda hora olhando de canto de olho para trás para ver se eu vou assaltá-las! Que merda heim! Ser descriminado por mulher, é final de carreira pra mim mesmo, pra fechar com chave de merda a vida!

O preconceito na minha vida é tipo a relação entre o SERASA e o devedor, ambos estão sempre ligados um ao outro. Imaginem só que ontem eu fui a uma certa loja de temperos na Teodoro Sampaio (Vila Madalena) , essa loja exala na rua um cheiro forte de um tempero que eu senti e gostei quando eu estava dentro de um avião na França, naquela ocasião tinha um passageiro ao meu lado que comprou batatas fritas no próprio avião e elas estavam cheirando esse tempero delicioso, eu nunca vi(senti) esse cheiro aqui no Brasil; pois é, entrei na loja de temperos muito receoso afinal dentro dela só havia gente branca, de classe média e heterossexual, perguntei ao vendedor qual tempero cheirava daquele jeito pois eu queria comprar, o rapaz vira pra mim e diz:
— ‘Aqui eu sinto todos os cheiros!’ Tipo querendo dizer: NÃO VOU PODER LHE AJUDAR, SAI DAQUI!
Bom, ele me falou isso e foi atender gente mais importante: uma mulher heterossexual, branca e aparentemente com mais dinheiro, ela estava com filhos e o marido. Todos ficaram rindo da minha cara da resposta que eu levei! Não falei nada, sai de lá e não insisti, eu sou muito atento em não gastar o meu dinheiro com pessoas que não gostam do eu sou, quando vejo que uma loja tem vendedores racistas ou homofóbicos, não falo com ninguém, simplesmente boicoto e acabou!

Sabe como é… A gente já é descriminado a vida toda desde o primeiro ano da escola  por ser homossexual, isso vai acumulando e aí você fica com ódio por qualquer situação que o coloque em situação de ser descriminado. Ainda por cima, a gente não escolhe por quem vai se atrair, sempre eu tou lá apaixonado pelo cara mais mulherengo e chamativo do local e o cara tem um ódio por mim que chega a arder de tão ruim que é. Infelizmente, isso a gente não escolhe, mas escolher não entrar num local que você sabe que será descriminado, isso a gente ainda pode escolher.

Veja um exemplo, na AV Angélica em São Paulo tem um mercado Pão de Açúcar ali que a minha mãe me levava desde quando eu tinha 5 anos de idade, teve uma vez que ela até comprou uma metralhadora de brinquedo eletrônica muito bonita que eu queria e só existia naquele mercado. Hoje esse mercado fechou as entradas que haviam na frente da rua e deixou uma entrada só pela esquina, agora ali na frente só estacionam (onde andam OS PEDESTRES)  SUVs
com pessoas metidas a besta achando que só porque você não é branco feito folha de sulfite, você vai pedir esmola ou lhes roubar, ainda mais eu que ando mal vestido e largado(não a ponto de parecer um morador de rua) por saber que ninguém que eu gosto, gosta de mim, aí que aquele povo cor de chantilly , heterossexual, formado no Mackenzie mas que fala que se formou na Sorbonne e em Cambridge, vai me descriminar mais que jogador de futebol milionário galã, rico e europeu. Sabe aquela descriminaçãozinha básica dada por todo ‘Careca do ABC’ a um homossexual negro? Pois é, essa mesma! Então eu já nem entro mais ali, mesmo antes eu adorando fazer compras ali a noite, hoje eu não faço mais isso por saber como a heterossexualidade aristocrática ali irá me olhar. Bem, é triste, mas a vida de um gay não é essa alegria que a TV Globo prega com final feliz de duas bichas se casando uma com a outra. A vida real gay é se apaixonar por caras que desejam a sua morte em segredo. É assim. O que eu posso fazer?

 

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