Me tornei anti-social para me proteger do lixo tóxico que vem sendo a sociedade

Eu me tornei realmente um anti-social para me proteger, afinal eu cansei das pessoas por justamente saber como elas são:
1) Se você é negro é descriminado por ser negro, não pode querer ir muito longe no trabalho.
2) Se você é pobre é descriminado por ser pobre, não pode ir em lojas sofisticadas ou andar em lugares bonitos que já acham que você tá ali pra roubar.
3) Se você é gay, é descriminado por ser gay, não pode esperar afeto ou sexo daquele cara mais interessante e tesudo onde você passa pois ele quer te matar.

Soma-se a tudo isso o fato das pessoas, na maioria das vezes ficarem falando de picuinhas repetitivas que a minha mente com mais de 50 anos sente náuseas ao ouvir: o fantástico filme que saiu lá no netflix; a fulaninha que se surpreende a cada vez que o tempo está chuvoso e sai falando isso pra todo mundo como se fosse algo fantástico; aquele grupo de homens que ficam falando minuciosamente de todos os pormenores de jogos de futebol que assistiu pela TV durante horas; aquelas pessoas que arranjam sempre um jeitinho de toda hora falar de comida e lanches como se fossem mortas de fome; aquela patricinha automatizada e chata que fala de forma acelerada e rindo de sabe-se lá do que, com voz anasalada achando que é chique, sobre as futilidades da sua rotina: estudar, fazer tarefinhas no trabalho, puxar o saco do patrão, deixar claro a todos que tem um namorado e etc; aquelas piadas machistas de jovens que tem a finalidade de constranger a pessoa por ela ter supostamente feito algo que só um homossexual faria; aquelas mulheres efusivas que chegam em você rindo e lhe tocando para lhe seduzir e lhe manipular mais a diante como se você já a conhecesse a décadas.

Enfim, cansei de gente mecanizada, automatizada, daquelas que saem por aí dando a mão pra cumprimentar todo mundo só ‘por educação’ quando na verdade elas nem gostam de quem elas cumprimentam.

E tem mais. Na idade em que eu me encontro, eu já aprendi que amizade é temporária e baseada em interesses. O teu melhor amigo hoje, amanhã poderá ser teu inimigo ou ficará indiferente a você.
Quando quero amizade, dou um alimento a um cão ou gato que eu goste, pronto! Tenho uma amizade!

Essa coisa de querer ser popular eu tinha quando eu era uma bicha nova, as meninas em que eu me escorava para eu não ficar sozinho e muito vulnerável aos meninos selvagens, me desprezavam, me davam respostas ríspidas, assim, de uma hora para outra, sem motivos.

Mulher muda de humor muito fácil, elas lhe tratam bem por saberem que você é um viado a ser controlado por elas, aí num belo dia que não precisam de você, acordam de mau humor, são secas, ríspidas, intransigentes e lhe descartam como resto.

Já os homens são mais estáveis porem querem toda hora por à prova a sua força física ou mental, quando se fingem de tolerantes, adoram falar de forma irritante e infinita de mulher na sua frente para você se constranger por ter nascido viado, daí quando você fala de homens, eles falam: ECA! QUE NOJO! PARE COM ESSE ASSUNTO! Isso porque são tolerantes…

Sabendo que essas merdas de ‘contatos sociais’ nunca terminarão em sexo, afinal isso é coisa só para os heróis do Valhalla, eu decidi então me defender excluindo todo mundo da minha vida! Isso mesmo!
Quando vem um homem falar de mulher perto de mim, eu corto logo e faço igual a eles: QUE NOJO! VÁ FALAR DE MULHER PRA LÁ!
Quando mulheres efusivas vem pra perto de mim me tratarem como seu fosse um cãozinho de estimação, eu as trato com extrema frieza que chega a ser gritante.
Antes eu perdia meu tempo tentando explicar os porquês dos meus comportamentos e escolhas aos meus colegas pares, hoje eu não perco tempo com lixos, simplesmente faço o que tem que ser feito, não argumento mais, quer falar de mim na minha cara, fale! Eu fico tão sadicamente indiferente que isso para os outros equivale à uma bofetada bem dada, afinal todo mundo espera que você na mínima provocação fique esperneando e sofrendo, mas eu não, por eu tanto ser desprezado pelos heteros, aprendi a desprezar também nas mesmas proporções: eu faço igual aqueles jovens, brancos e heterossexuais de seriados teen, me sinto a ultima Fanta do deserto e ignoro de uma forma que chega ser desleal, me dá até pena as vezes.

Quer falar que eu sou anti-social? Fale! Quanto mais me chamam, mais eu exercito a minha cara de pau para ver o quanto eu posso retribuir o desprezo recebido. Eu sinto uma sensação gratificante por mim mesmo, um certo orgulho venenoso quando eu percebo que tive coragem de romper com os ritos sociais que tentam me constranger por eu tentar ser dono de si. Por exemplo, no meu trabalho, todo mundo quando vai embora, pra fazer uma média, se despede dos colegas e dos seguranças que ficam na portaria lhes desejando boa noite, eles também dão um boa noite bem animado, para não dizer forçado, mas eu simplesmente não me despeço de ninguém, saio na maior cara dura, se se despedem de mim respondo se eu quiser, passo pelos seguranças e os mais novos ficam me encarando achando que eu vou me despedir deles por ‘educação’, eu simplesmente passo feito um fantasma, uma alma evoluída de outra dimensão: não falo nada com ninguém e eles ficam com ódio mas não podem fazer nada. Pronto! Estou vingando! Desprezo com desprezo se paga!

Antes no meu emprego eu tentava feito uma mula idiota puxar assuntos com os meus colegas, daí eu comecei a notar que todos me desprezavam por eu não conversar sobre as futilidades que eles apreciam, claro, enquanto eles falavam da viagem deles com a ‘mina deles’ num carro velho e zoado para Paraty, eu falava de como era interessante estar no Charles de Gaulle na França após 11 horas de voo. Aos poucos eu fui percebendo que eles me boicotavam por isso: quando eu os chamava, ao contrário dos outros, eu tinha que chamá-los não uma vez, mas três, quatro, cinco e até seis vezes para eles me darem atenção, a desculpa é que eles estavam vendo o Youtube ou o Whatsapp. Que nada! Quando era um igual a eles, eles respondiam imediatamente! Também notei que as vezes quando eu puxava assunto com uns, outros cortavam e me deixavam com cara de boboca como se eu nem existisse. Então decidi mudar: Fico horas no meu trabalho sem dar um piu! As vezes entro mudo e saiu calado! Quando eu quero conversar, vou no Yahoo respostas e fico respondendo aquelas cretinices!

A vida me ensinou isso: DESPREZO COM DESPREZO SE PAGA!
No meu emprego existe uma menina sem a mínima graça que todos pagam pau pra ela, aí um dia que ela ficou sabendo que eu dei um ‘corte’ numa amiga dela, ela passou a me ignorar cumprimentando todo mundo e me evitando, recocheteou pois eu faço mesmo com ela quando eu quero me divertir: cumprimento os  mais afins e a excluo sem dó. É muito compensador, até me sinto heterossexual quando faço isso, afinal eu aprendi isso com eles.

Amizades? Nem tenho mais, é serio! E quando uma aparece, faço força pra terminar! Por exemplo:
Um dia lá no meu emprego um rapaz que não me conhece me pediu uma ajuda e eu dei, aí ficou aquele automatismo apitando na minha cabeça: toda vez que eu vê-lo, mesmo sem conhece-lo, tenho a obrigação social de dizer ‘oi!’.  Bom, as pessoa fazem isso a vida toda, mas eu concei! Ontem eu parei com isso também, eu o vi e nem falei mais nada, cansei!

Antes quando eu era mais novo eu sempre temia o menino mais malvadão(psicopata)  da escola achando que eu tinha que agradá-lo sempre o cumprimentando, dando a minha mão a ele para não desagradá-lo, como eu era besta! Hoje mudei! Agora no meu trabalho tem um bolsonarista, falso que alem de tudo curte nazismo, bom, até aí é problema dele! Acontece que eu catei esse cara fazendo uma ‘traíragem’ comigo só porque ele me achava ‘comunista’, sendo que na minha frente ele me tratava bem, pois é, o dia que ele foi lá me cumprimentar na cara dura, eu também respondi na cara dura e em tom de deboche:
— Ah! Você eu não aperto a mão não porque você não presta! kkkkkkkkkk!
O cara deu um risinho amarelo e perdeu o caminho de casa.

Mais uma lição que aprendi com os heteros: eu não preciso ser eu mesmo de forma séria, sisuda e truculenta, eu posso ser eu mesmo no estilo calhorda: rindo, debochando e dando um ‘não’ na maior cara de pau! Teve até um dia que o cara veio me apertar a mão com a mão molhada e eu recusei dizendo que não iria mais fazer isso pois ele vivia tendo a mão molhada!

Nem vou falar que no Natal e no Ano Novo, eu não desejo feliz natal nem bom ano novo pra ninguém! Se a pessoa namora e é heterossexual, eu quero mais é que ela se dê muito mal na vida dela!

Bom, com todo esse comportamento eu perdi todos os meus ‘grandes amigos’! Mas e daí?
Na idade que eu tenho, você não quer mais saber de amizades, isso é coisa de adolescente e criança, na minha idade eu quero saber se vai ter possibilidade de ter sexo ou não, se não tiver, que vá pra puta que pariu!
Sei lá gente, perdi o senso, cansei de responder o desprezo dos outros com amor, carinho e resignação, agora se vier com folga e desprezo comigo, eu passo o carro por cima mesmo e não tou nem aí!
A bondade foi perdida!

Quero salientar mesmo assim que eu só não tenho ‘amigos’ porque não sou sexualmente rentável pra ninguém, afinal se eu fosse mulher, linda, loira, peituda e com uma calça enfiada no rego, todo mundo, mesmo assim ainda me trataria bem e iria ficar indo atrás de mim, afinal, com com heterossexuais muito desejados que eu aprendi a ser assim e eles não deixaram de ter contato social por serem grossos e estúpidos, na verdade, o povo ignora quem já tem vontade de ignorar mesmo, só precisa uma desculpa pra isso. Fiquei sem amigos porque na verdade eu nunca os tive graças à minha condição sexual sui generis.

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