A espiritualidade é filha da depressão

Cada vez mais eu chego à conclusão que a espiritualidade é fruto de gente deprimida e doente que quer se consolar com aquilo que não tem. Sim, eu me ponho nesse grupo, afinal a minha vida é cheia de desprezo, humilhação e inferioridade.

Não sei se sou só eu mas eu fico todas as madrugadas consumindo milhões e mais milhões de toneladas de toneladas de vídeos de espiritualidade: de EQMs passando por reencarnações até chegar em conspirações de seres dimensionais alienígenas que supostamente pintam e bordam aqui sem vermos, sim, pra gente que não é convidado nem pra enterro da bosta do gato na terra por sermos gays, qualquer besteira que nos faça sentirmo-nos minimamente especiais já nos conforta mesmo que seja por questões de horas.
Acreditar em conspiração de seres dimensionais talvez me faça me sentir uma pessoa especial já que eu não sou uma mulher heterossexual que se sente a cada segundo especial até se enjoar por receber apelidos carinhosos e desejos de felicidade no Whatsapp por parte daqueles que a fazem “tremer na base”.

Mas o que eu tanto busco com esses negócios de reencarnação , experiências de quase morte compartilhada, reencarnações paralelas e seres alienígenas? Ajuda? Não necessariamente ajuda mas sim curar a minha depressão em saber que ninguém que eu gosto nunca vai me querer, tentando entender se existe algo que me fez ser assim, talvez uma forma camuflada de se sentir especial na falta de ter um homem que eu goste e que me falta! Se sentir especial em achar que espíritos, karmas, entidades, deuses, demônios e toda a porra toda fizeram algo para eu ser esse merda que sou aqui, esse merda que no Twitter segue mais do que é seguido e que tem um blog com míseros 23 acessos por mês lhe dando prejuízo à toa. Bom, se você conta uma historinha de que fez coisa feia no passado e que agora tá pagando por isso, é uma masturbação que como tal lhe faz ter um prazer temporário, é uma forma de você tentar curar a sua depressão em saber que a vida não é só trabalhar, pagar conta e dormir pra acumular forças pra no outro dia trabalhar pra não passar fome. Na sua vida, diferente dos heteros, não existe sexo, a não ser que você tope transar mecanicamente com outras bichas iguais a você ou com outras mulheres, afeto humano real não existe. Pra uma mulher hétero, todo lugar é lugar pra ser amada ou pelo menos desejada, tanto é que elas nem dão valor muito pra isso e querem muito mais: dinheiro, carro, carinho, pai, segurança, filhos, lar, viagem pra París, um programa eterno de fidelidade, um parceiro que não fume, educado, que fale 4 línguas, compreensivo, trabalhador que a entenda, enfim, mulheres seguem aquele ditado: quanto mais se tem, mais se quer… Eu já estaria muito feliz com uma encoxada em mim de um cara que eu gostasse, mas enfim…

Tem um leitor nesse blog que vira e mexe ele vem aqui e diz que a gente tem essa vida de total desprezo por que na outra vida arruinamos casamentos e fizemos mal uso da sexualidade, aquele script bem conhecido kardequiano que todo espírita de classe média brasileiro prega. Mas assim, ele ouviu falar, de alguém que ouviu falar, ouvir falar por ouvir falar, a gente escuta cada idiotice que não está escrita, veja os evangélicos que acham que a gente tem uma pombagira que nos faz gostar de homem. Porra! Também tem bosta da constelação familiar que diz que tudo é falta de perdão aos nossos antepassados. Enfim, se você for dar como certa as causas do seu problema só por aquilo que os religiosos falam, você certamente ficará maluco ou atrapalhado. Sabe, eu não quero acreditar em teorias punhetistas que me confortam por 4 minutos, se existe um mundo espiritual, uma outra dimensão e coisas nos bastidores colaborando para eu ter a vida de merda, eu quero ver, explorar e entender e não ficar só acreditando em contos bonitos, isso aí não me satisfaz.

Também temos que ter a ousadia de repente de descobrimos que não somos especiais elevada à nona potência! Sim, de repente não somos especiais por não termos ninguém e ainda por cima não existir porra nenhuma de mané espiritualidade, e se morreu acabou? Afinal de contas, por mais que eu queira acreditar em coisas sobrenaturais, eu tenho que dar o braço a torcer que nunca coisa dessas apareceu pra mim, o que eu acho que sei foi gente que me contou e gente tem de todos os tipos: a safada, a boa, a mentirosa, a honesta , a que quer fama, a esnobe, a falsa, a que de detesta mas que finge ser boa, a trabalhadora, enfim…

Um dia desses na minha ânsia de querer entender as supostas coisas que regem a vida, eu fui lá naquele canal “Afinal o que somos nós” e havia uma mulher nos posts querendo ser entrevistada pois aconteciam vários fatos sobrenaturais com ela, fui lá tentei contato com ela, a adicionei nas redes sociais e ela me indagou quem eu era, achando ruim eu não ter lhe dado meu nome, CPF, RG e carteira de motorista para ter a ‘chance maravilhosa’ de falar com ela, a  vagabunda se sentia o Neymar, virou pra mim e me disse que não falava com desconhecidos e ralem do mais, as experiências que ela havia tido, estava guardando para o canal e não para mim! Aquilo me ferveu o sangue, já não basta a minha vida toda ser desprezado , escorraçado e humilhado por homens, agora uma mulher também? NÃOOOOOOOOOOOOO! Mandei a vagabunda pra puta que pariu e a bloqueei antes que tivesse tempo de me responder. Vá pro inferno! A mulher se fazendo de “espiritualizada” queria  mesmo é fama, holofotes, glória e nada mais!

Depois no mesmo canal, teve uma outra moça que parecia mais humilde, tão humilde que criou um e-mail só para se misturar conosco e não ter a sua vida pessoal invadida… A tal moça você lhe envia um e-mail, só depois de uns 8 meses ela responde , isso é, 8 meses e nunca mais. Essa ultima disse que se viu sair do corpo em dois acidentes com pessoas que testemunharam o fato e tudo mais. Ok, lá vai eu feito um trouxa atrás da mulher.

Ela então me respondeu depois de muito tempo também demonstrando leve incômodo por eu não me identificar mas pelo menos perdeu o seu tempo para fazer “uma social” comigo, depois disso, nunca mais! Perguntei a ela se no outro mundo das EQMs só existe gente boazinha e legal de luz pois essas coisas boazinhas e de luz nunca dão em nada comigo. Então ela me mandou ler um livro com título bem pitoresco:
O Guardião da Meia Noite, pois bem, em dois dias eu li o livro todo que ela mandou, nele conta-se a história de um grande barão de Santos que viveu a 200 e poucos anos atrás , o tal barão era o oposto de mim: fazia sucesso , tinha dinheiro, fama, era considerado e trepava com quem queria a doidado, um belo dia decidiu trazer uma ninfa loira de olhos claros de Portugal cuja família trabalhava para o rei, a menina veio triste para o Brasil (claro, quem que não de deprime em sair da europa para para ir morar no lixo do Brasil?)  mas acabou se acostumando, porem o tal barão foi transar com a menina e viu que a mesma não sangrou(heteros prestam bastante atenção nesses pormenores de suas vidas sexuais que estão bilhões de anos luz de distancia de nós) , logo ele achou que a menina não era virgem e tratou de aprontar com ela mandando em segredo forjar que ela se deitava com escravos, o cara adormeceu a  menina e mandou um escravo fingir que transava com ela pra armar flagrante e desmoraliza-la na frente de todo mundo, a menina então é pra lá de humilhada e a fama  dela corre Santos toda, a menina desaparece e vai pro mato, ninguém a acha por meses, o tal barão então ao receber a visita dos pais da menina inconformados, vai atrás da menina no mato junto com um monte de jagunços, pra isso matam metade de uma aldeia indígena e descobre que ela estava lá, aí manda matar mais ainda enquanto não a acha, então esse cara trás a menina depois de matar um monte de índio, os indios também matam todos os seus homens, ou seja, por causa da vingança desse cara na sua ninfeta, o genocídio rolou solto na mata, o barão volta e começa a sentir novamente amor pela ninfa enquanto ela vive infeliz dizendo que nunca o traiu , a menina tem um filho e morre, depois eles vão para portugal, a menina tem outro filho por lá e morre também, a menina perdoa o tal barão e esse achando que a morte de seus filhos era castigo por ter feito o que fez, confessa que foi ele que armou o flagrante falso pra cima da menina. Com o tempo o tal barão acaba morrendo de depressão, paralisado numa casa fechada, magro e acabado, a sua ninfa preocupada manda arrombar a porta, arrombam e o tal barão estava morto, barão mesmo morto achava que estava vivo e gritava por ajuda, mas ninguém o escutava, ele estava preso no corpo que era enterrado, dois homens que enterravam o seu corpo ficaram falando que eles é que seriam homens de verdade para aquela ninfa e nao ele naquele caixão, o barão então xinga-os incessantemente mas nada o escuta, então ele vai pra cova e sente a dor dos ratos roerem os seus ossos, ele grita, implora por deus, igualzinho eu faço nesse blog, e igual nesse blog, também não tem resposta alguma, então ele implora para que saia daquele túmulo por anos e nada, só sente a dor dos ratos, um belo dia ele se cansa  de pedir ajuda pra deus e pede pro inferno ajudá-lo a se livrar daqueles ratos, então surgem cobras medonhas que devoram os ratos e ele fica com mais medo ainda! Ok, depois de tanto sofrer no túmulo, um espírito debochado lhe propõe a tirá-lo dali, desde que topasse ser escravo dele, e em cada missão não bem realizada, levaria muita chicotada, o tal barão aceitou e mesmo depois de morto estava muito fraco, ficou em formato de caveira, foi muito humilhado pelos outros espíritos, sofreu bullying até mas como executava as suas tarefas de sacanear com a vida dos vivos em troca de macumbas amorosas , de forma muito competente, acabou crescendo e construindo o seu próprio reinado depois de morto nos “infernos”, no final da história, mesmo estando entre os ruins, o barão vai prestando serviços aos espíritos do bem e acaba virando um exú! Depois ele descobre que a sua ninfa amada também havia virado uma entidade , uma freira pura que ajudava as pessoas, eles se reencontram algumas vezes e um perdoa ao outro, a mulher fala que mesmo não tendo sujando a sua cama de sangue por algum problema em seu corpo, ela era virgem sim antes de se casar com ele, ele então se sente muito culpado e todos o ajudam a perder a culpa. No fim vários orixás acabam conhecendo o trabalho do barão e o mesmo os ajuda em batalhas épicas entre trevosos e outras entidades que ocorrem lá,
tipo as fase dos cavaleiros do zodíaco no reino de Hades.

O livro todo é ditado a um médium de umbanda pelo visto, por um exú que é o próprio barão.

Bom, a história eu resumi bastante, teve mais detalhes tristes que me fizeram chorar na vingança injusta que o tal barão empreendeu contra a moça, mas o que quero contar com isso é que eu não vi o tal exú, o livro me comoveu? sim, me comoveu e até me fez ter medo de morrer e ficar paralisado e preso no meu maldito corpo, o que de certa forma já acontece… Mas eu não vi nada, não senti nada, além do mais, candomblé, umbanda e coisas do gênero pra mim são coisas bem arcaicas pra mim, afinal eu me envolvia com essas religiões na minha infância e puberdade , hoje estou na casa dos cinquenta e pra mim essas religiões soam como se soa a segunda séria para quem já terminou a faculdade, não querendo desmerece-las.

Vi o livro para me esforçar e tirar um pouco a tristeza de afeto que é a minha vida, ao contrário do barão, eu não tive ninguém. Vi sim jovens lindos na europa mas eu não os traria para o inferno que é o Brasil e nem tão pouco algum deles viria por amor  reciproco a mim, com gays como eu não existe esse amor que faz os heteros matarem por pessoas que eles realmente amam. Imagine se alguém faria por um gay o que esse homem fez por sua ninfa portuguesa movido pelo ódio de ser supostamente traído. Gays parecem nascer numa condição onde não são relevantes a ninguém, oh, isso é tão triste! Ninguém que realmente amamos ou sentimos tesão tem algo bom por nós, é sempre a mais pura indiferença, podemos ficar 6 meses fora de casa que ninguém se importa. Ninguém sente ciúmes de nós. Ninguém mataria por amor a nós.

Pode parecer bobeira mas eu sempre sonhei em minha vida toda em ter um daqueles amores adolescentes, de pegar na mão do outro e sair pelo mundo arriscando tudo em nome do amor recíproco, eu sempre quis ter aqueles namorinhos que os jovens têm entre os seus 13 e 15 anos, isso me faz até chorar, afinal de conta eu nunca tive a consideração de nenhum rapaz que eu gostei, todos foram indiferentes, cruéis e me viam como algo a ser evitado. E o pior, eu vejo que isso não é só comigo, eu vejo outros gays famosos, até mesmo gays comuns que gostam de gays levam uma vida ‘clandestina’ de ninguém os querer por perto e morrer na pior sem amor, sem nada, veja o caso da Vera Verão, o Lafon, alguns programas tinham pessoas que se recusavam a estar no mesmo palco que ele estava e como sempre, era visto como ser engraçado, é sempre isso, a sociedade nos enxerga como palhaços que fazem gracinha pros outros e mais nada.

Não descem espíritos, demônios ou seres dimensionais para nos contar o porquê disso, ao contrário dos “escolhidinhos” nem se quer as entidades querem papo conosco, se é que existem, mesmo assim ficamos atrás de uma esperança, uma possibilidade afago que não podemos ter com um homem que gostamos para ter com uma entidade fantasmagórica que nos dê sentido na vida vazia que temos. É por isso que quanto mais eu fico depressivo, vai eu fico estudando esses assuntos espirituais que não me acrescentam em nada e ainda me faz ser desprezado também por mulheres. Que horror!

Trocar a fluoxetina pelos contos do além no Youtube, esse é o entretenimento que ainda me resta enquanto ainda tem um mísero emprego.

 

 

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