A amizade realmente existe? Homossexual e amizade hetero, dá certo?

Olá blog que ninguém lê!
Boa noite Google!

De um tempo para cá eu me percebo cada vez mais como um homossexual velho e sem amigos, embora isso fosse encarado como algo negativo pelo nosso padrão social estabelecido, eu realmente não sei se isso é uma malefício ou uma dádiva no Brasil…

Comigo uma amizade nunca durou mais que cinco anos, é sempre assim: no começo existe simpatia, alegria e muita troca de coisas boas, as vezes até tem encontros para viagem e tal, mas com o passar do tempo as amizades em sua maioria corroendo a nossa individualidade, o nosso kernel.

Todos nós temos níveis de permissão que concedemos ou não a alguém, todos nós temos o nosso ‘osso’ que é aquele ponto onde por mais legal que as pessoas sejam, dali você não pode deixar passar pois aquilo desrespeita, fere e agride a sua personalidade e sua dignidade! Não é porque você é amigo de uma pessoa que tudo na sua vida tem que ser aberto para ela, tem coisas que você não quer fazer nem pra ninguém, seja seu amigo, seja sua mãe, seja lá quem for, isso é normal mas muitas pessoas em nome da tal ‘amizade’ ignoram essa barreira natural de sobriedade e permitem que seus amigos comandem a sua vida de forma inconsciente. Quando eu noto que isso acontece eu solto um ‘NÃO’ para já pararmos por ali! Brasileiro acha que amizade é ter o direito de ter intromissão nas regras de permissão do outro, no começo isso até pode ser divertido, mas nunca acaba bem. E eu confesso: se a pessoa é muito educada e mansa comigo, eu também tenho que me POLICIAR MUITO para eu também não interferir no âmago, no ‘osso’ dela também! Nós brasileiros temos uma péssima mania de acharmos que só porque uma pessoa nos trata bem, que nós podemos abusar dela sem respeitar os limites que ela tem.

Quando eu era adolescente eu também não respeitava o meu kernel, o meu ‘osso’: eu era gay, por isso não era acolhido muito por meninos mas sim por meninas que no fim viravam amigas, na verdade eu como viado que era, era apenas um PET na mão delas… As minhas tais amigas me apressavam, faziam eu me sentir culpado pelo meu ritmo ser mais lento que o delas, outras amigas ficam reunidas a mim para criticarem os outros e a mim mesmo, enfim, eu não tinha identidade própria, para eu ter amizade dos outros eu deixava fazer o que queriam comigo, no final eu me sentia mal, me sentia como se estivesse me prostituindo para  parecer um cara legal para a liderzinha da classe, não tinha coragem de dizer ‘Não’ pra ninguém, se a pessoa então fosse persuasiva e entrona eu ficava em pânico só de me imaginar dando um ‘Não’ pra ela! Realmente dar ‘não’ é uma arte e ‘amizades’ se magoam com o ‘não’ e ao passar do tempo eu venho tentando aprender a dizer ‘não’ de forma bem soft mas quando eu percebo que a pessoa é sociopata ou descarada, eu relaxo e digo um ‘não’ bem descarado também, a pessoa nem liga!

Quando eu estudava no Brasilio Machado da vila Mariana(lugar onde eu me assumi) , existia uma menina chamada Ana Paula, ela era decida, classe média, espírita e folgada, não que ela fosse ruim, mas aquela menina me causava muito desconforto, o desconforto que ela me causava, para se ter ideia, era parecido ao desconforto quando nós questionamos uma autoridade ou quando eu fico perto de um rapaz bonito que me atrai. Ela dizia as coisas na cara, dificilmente sorria, me dava conselhos sem eu pedir, colocava os pés na minha cadeira e me dava dicas de vida de forma que eu para agradá-la de medo, me abria todo com ela, ela como era bem entrona até me questionou por que eu não tinha alguém! Já naquela época(eu tinha uns 19) eu já sofria muito, o que hoje eu escrevo nesse blog falido, eu já escrevia num caderno universitário. Então eu respondi a ela que eu não tinha ninguém pois eu era um gay que gostava apenas de homens héteros, daqueles rapazes bem masculinos mesmo e que detestam gays, ela então me olhou com pesar e me disse:
— “É cara… Eu tenho um namorado que é bem assim mesmo, ele detesta gays e eu sei o como ele detesta. A sua situação realmente é ruim.”

Ana Paula vivia com uma amiga dela chamada Ana Claudia que morava lá na Loefgreen num conjunto de prédios chamado ‘Conjuntão’, lugar onde eu fui linchado com bicuda na cabeça até, já contei isso aqui em posts mais antigos.

Bem ,  uma vez eu até conversei com um ‘amigo’ meu de classe que Ana Paula, com o seu jeito entrão e folgado, seria muito apreciada por mim se ela fosse homem, pois eu adoraria um cara mauricinho, bonito, entrão e de gênio forte me dando conselhos como ela me dava, afinal a apatia que eu suscito em caras assim é tão unânime que eu me sentiria maravilhado com um tentando dar palpites na minha vida.
Deixando claro que eu não estou aqui querendo um cara ruim e intrometido na minha vida, a Ana Paula era entrona, folgada, meio seca mas eu não posso dizer que ela queria o meu mal, muito pelo contrário, na vez que um cara no Brasilio Machado ficou tentando me ameaçar na sala por eu ser gay na frente dela, meia hora depois ela havia colocado a escola toda (incluindo outros RAPAZES HETEROSSEXUAIS) contra o cara que me ameaçara, eu fiquei boquiaberto, uma multidão veio me perguntar se eu queria que o fulaninho que tinha me ameaçado deveria apanhar ali num linchamento ou não, deram uma bronca naquele cara que eu fiquei com pena e falei para não fazerem nada a ele não.
Meu defeito é ser bom, não é?
Ana Paula tinha me salvo, afinal eu nunca tive na vida popularidade a ponto da escola inteira comprar briga minha, achei até estranho, afinal a vida inteira foi sempre o contrário: a escola toda contra mim!

Hoje , por tudo o que eu conheço, eu desconfio fortemente que Ana Paula era lésbica não assumida, por isso aquele jeitão de mauricinho entrão e folgado dela. Eu tenho até vontade de ve-la mas deixa pra lá!

Muitas pessoas com quem você tem amizade a anos atrás e que você reencontra pelas redes sociais, acabam sendo frias e indiferentes a você, as redes sociais do tipo Facebook mostram tantas informações sobre o que a pessoa que você adicionou está fazendo, que não resta nem assunto para conversar mais, redes sociais como Facebook se focam no que a pessoa faz e não no que a pessoa é! Com isso eu descobri que a melhor coisa para dar gelo em amizades são essas redes sociais com status do que você faz: se o seu amigo posta umas fotos feias e miseráveis comendo churrasco e você não curte, pronto, já cria uma mágoa! E eu sou assim: se eu posto uma foto e ninguém curte ou comenta, eu fico me sentindo antipopular, estranho, besta. Bom, mas ninguém realmente tem o dever de curtir as minhas fotos da mesma forma que eu não tenho o dever de curtir as fotos de ninguém, mas nesse jogo cria-se uma rivalidade velada: eu não vou curtir as suas fotos só pra te sacanear e e você irá fazer o mesmo comigo, no fim teremos duas pessoas que eram amigas mas que agora estão com ódio uma da outra!!! Veja!

No Whatsapp é a mesma coisa, eu tenho duas amigas também lá do Brasilio Machado na minha lista, elas não têm culpa alguma pois eu afoito que pedi os contatos delas só para fazer graça, pois bem, as adicionei em meus contatos, elas me mandavam correntes religiosas e colocam status falando de Deus, eu como não suporto correntes, detesto religiões e não comento status por achar ser intromissão, elas acabaram me dando um gelo: não me enviam mais nada. Porra! Por que essas pessoas ao invés de me mandarem correntes automatizadas que elas não sabem nem por que estão mandando, não me mandam um ‘oi’ falando de alguma fofoca que nós falaríamos na vida real? Porque eu não sou hetero, não sou bonito, não sou sexualmente produtivo, por isso não tem nada verdadeiro pra mim!

No meu Telegram, só tem um senhor Russo que tenta falar alemão comigo, por incrível que pareça ele me dá ‘bom apetite’ em alemão quando eu estou comendo e não me manda correntes, ele adora falar de Putin , das mulheres bonitas que têm na Rússia e de sua profissão, ele sabe que eu sou gay, devido barreira linguística entre nós, falamos pouco.

Eu tive nessa mesma época um ‘melhor amigo’, hoje nos nos esbarramos na Internet mas ele não me adiciona e nem eu o adiciono, ele é evangélico e sabe que eu sou ateu, decidiu não conversar e ter mais contato comigo assim do nada, eu fiz o favor de retribuir, afinal o trouxa na história foi eu em achar que poderia ter uma amizade eterna com um hetero e ainda por cima evangélico.

Eu tinha uma amiga muito bem sucedida no campo amoroso, homem pra ela é mato!  Ela me conheceu ao me ver na comunidade do Orkut do programa Encontro Marcado do finado Luiz Gasparetto , eu causava muito lá, nossa amizade foi tão rápida que com poucas semanas ela já estava com o telefone do meu trabalho, ela era bipolar e nós nos dávamos bem, depois ela foi se ofendendo com o meu jeito de ser, uma vez ela me mandou links de vídeos no Youtube e eu num ato de sincericídio(típico em homossexuais) disse que não estava afim de ver os links dela, porem eu havia mandado antes uns dos clipes que eu gostava para ela ver, ixi! Ela se magoou bastante, claro, vai ver que ela se forçava a ver o clips que eu gostava mas eu não me forçava a ver os dela. kkkkkkkkkkkkkk!

No Brasil nós costumamos ter amizade apenas para nos safar dos momentos difíceis usando a força do outro, isso até pode ser vantajoso em alguns momentos mas tem o seu preço, o preço de ter que agradar sempre, abrindo mão da sua real natureza para agradar ao outro, é muito difícil você manter as suas amizades depois delas conhecerem o seu lado xucro, ainda mais se você é feio e improdutivo sexualmente, quando você é bonitão e sexuado, as pessoas ficam no seu pé, mesmo você  sendo estúpido com elas, mas quando você é como eu, um homossexual pobre, as pessoas rapidamente vão caçar outro pra encher o saco e lhe deixam em paz.

No Brasil mesmo, quando eu tento me socializar com heteros, eu me sinto profundamente violado: se você sai na rua com eles, eles querem atravessar fora da faixa, andar entre os carros, entrar nas lojas onde os atendentes lhe olham feio, andar em locais perigosos onde o assalto é eminente, falam de adultério, amam falar como cada animal pode ser sacrificado para fazer um delicioso prato para eles como por exemplo a lagosta que é cosida viva! Isso teria que ser um crime! Como existem pessoas assim que não se colocam no lugar de outro ser para saber o quão aquilo é desnecessário e doloroso?
E homens heteros quando percebem que você é sensível assim, eles começam a explorar o fato para lhe aborrecer mais ainda. Por isso tudo eu atingi um patamar onde ter amizade comigo é algo muito improvável pois eu não gosto de qualquer um perto de mim e pra falar a verdade eu nem estou afim de mudar isso!

A amizade com mulheres, você vira um PET na mão delas, depois que você decide  decretar a sua independência delas, elas se voltam contra você  e tentam lhe constranger por isso ao máximo. Elas não querem perder o escudeiro que têm.

A amizade com gays eu também não me sinto muito a vontade, se andamos na rua com outro gay, atraímos naturalmente a atenção dos nossos predadores, eu me sinto muito frágil e ainda mais sensível se eu ando com um gay, parece que a qualquer momento eu serei alvo do ódio hetero.
Na mente hetero, todo gay andando junto não é por amizade, é porque é namorado! Não é, mas e se fosse, qual o problema? Sem falar que parece que todos os gays que eu tive amizade, no fundo nutriam uma certa atração sexual por mim que me irritava, quando eu não os correspondia, acabavam com a ‘amizade’ falsa.

Por fim, eu aprendi que a melhor coisa para mim é não ter amizade com ninguém, não quero ninguém desrespeitando os meus ‘nãos’! Odeio pessoas que querem a minha confiança de forma explicita, confiança é algo que se conquista progressivamente por anos e não algo que eu exijo e  outra pessoa tem que me dar.  Você pode reparar: quando estamos em grupos de ‘amigos’ falamos coisas que não queríamos falar, fazemos ações idiotas, julgamos, falamos por falar sem sentir, ficamos idiotas feito gado segundo gado, ficamos exagerados, rimos sem ter vontade de rir, nos entregamos ao descontrole, saímos do nosso eixo, deixamos os outros nos controlarem e queremos controlar os outros, perdendo a nossa essência para ficarmos numa espécie de rede comandada pelo mais persuasivo do grupo, isso nos faz transpirarmos mais e até nos da dor de cabeça e ao pensar nisso, eu agradeço por não ter maia amigos, nada vale mais que a minha paz comigo mesmo!

Amizades são formas de nos prendermos a esse mundo asqueroso, toda amizade tolhe parte de nosso respeito por nós mesmos, por isso eu quero conviver bem a medida do possível mas de forma impessoal sem amizade alguma, sim, eu não quero ter amigos! Eu quero é sair o mais rápido possível desse mundo e amigos retardam isso, ainda bem que eu sou gay e feio, condições que me ajudam e muito a não cair em mais essa prisão que a terra tem!
Aprendam:
1) Mulheres vão te largar quando você não for mais o pet delas ou quando elas tiverem um macho alfa!
2) Heteros: irão cuidar da prole deles, só irão querer sua ‘amizade’ quando quiserem um favor seu.
3) O preço de fazer amizade com qualquer um é o seu corrompimento

Não sei se é bom, mas ultimamente eu não quero ter amigos não, isso é furada!

1 thought on “A amizade realmente existe? Homossexual e amizade hetero, dá certo?”

  1. Sobre o blog que ninguém lê: até lê, mas pouco interage. E interação requer dois interlocutores. Vc pode até achar que os leitores se sentem “mais confortáveis” sem o moderador por perto, mas isso não faz o menor sentido. Escrever aqui é o mesmo que escrever na parede, não tem a menor graça. Vc não sabe se alguém lê, não tem reação nenhuma. Não conheço nenhum outro blog que seja como esse, onde as coisas caem no silêncio e a discussão termina em nada. O outro ponto é a moderação exagerada. Primeiro porque você não é o moderador do blog, porque isso não é um fórum de discussões. Vc é o dono, o autor. Seu papel não deveria ser o de moderar, e sim o de estimular o que quer que vc queira discutir aqui (e eventualmente até moderar se houver algo de muito anormal mesmo). Se alguém te ofender (muito) ou cometar uma ilegalidade aqui, vc tem mais é que censurar mesmo. Mas parece que vc corta qualquer coisa que não seja minimamente do agrado, e a gente que se arrisca a escrever fica sempre pensando “será que vai passar, ou vou só perder tempo?”. Ora, qual a graça de ler só aquilo que vc quer ler? Parece aquelas crianças que interrompem o jogo e vão embora com a bola. Novamente, é um direito seu, o blog é seu, mas vc há de convir que não é um cenário muito atraente do ponto de vista do leitor, e por isso vc tem tão pouco público. Se vc quer participação, estimule a participação: responda, e pare de cortar as respostas apenas porque vc não gosta. Bjs.

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